HANS CHRISTIAN ANDERSEN
Brasil fica de fora do 'Nobel' da literatura infantil pela primeira vez em 40 anos
Ao contrário das últimas edições, país não tem indicados ao Hans Christian Andersen, que anunciará os vencedores em 2026


Pela primeira vez desde 1984, o Brasil não tem um escritor ou um ilustrador indicado ao prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantojuvenil. A ausência quebra uma sequência de 41 anos, período em que o país sempre teve pelo menos um autor finalista ou vencedor, colocando a produção brasileira entre as mais significativas do mundo.
Organizado pelo IBBY, sigla em inglês para a Organização Internacional dos Livros para Jovens, o prêmio é concedido a cada dois anos para um escritor e um ilustrador. Os indicados desta edição foram divulgados na última semana, na Feira do Livro Infantil de Bolonha, no norte da Itália. Os vencedores serão conhecidos no ano que vem, durante o mesmo evento.
Entre os concorrentes da atual edição estão nomes como a chilena María José Ferrada, a colombiana Irene Vasco, a chinesa Cai Gao, a espanhola Elena Odriozola, a palestina Sonia Nimr, entre outros. No total, foram selecionados 78 autores de 44 países, sendo 41 escritores e 37 ilustradores. Dessa lista sairão os cinco finalistas, que deverão ser conhecidos ainda neste ano. A lista completa pode ser vista aqui.
Já na edição do ano passado, o Brasil teve dois finalistas no Hans Christian Andersen. Na categoria para escritores, Marina Colasanti chegou à lista final de cinco nomes. A escritora, uma das mais premiadas do país e sempre cotada para receber a distinção, morreu em janeiro deste ano sem jamais ter levado o troféu. Colasanti foi autora de cerca de 70 títulos e de obras que marcaram a literatura infantojuvenil brasileira, como "Uma Ideia Toda Azul", "Ana Z., Aonde Vai Você?" e "Breve História de um Pequeno Amor", por exemplo.
Já na categoria para ilustradores, Nelson Cruz também ficou entre os cinco finalistas no ano passado. O mineiro vem construindo há décadas uma trajetória de destaque dentro do livro ilustrado e já criou narrativas visuais para textos de nomes como Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis e Bertolt Brecht, por exemplo. Em 2021, recebeu o Jabuti de melhor livro do ano por "Sagatrissuinorana", livro que tem texto de João Luiz Guimarães.
Os premiados de 2024 foram o escritor austríaco Heinz Janisch e o ilustrador canadense Sydney Smith.
Apesar de ignorado desta vez, o Brasil já venceu o prêmio três vezes. Lygia Bojunga foi a primeira a ganhar, em 1982, seguida por Ana Maria Machado, em 2000, ambas na categoria para escritores. Em 2014, foi a vez de Roger Mello, que se tornou o primeiro ilustrador latino-americano a ser laureado —e único até o momento. Entre os indicados, já figuram em edições passadas nomes como Ziraldo, Ruth Rocha, Ciça Fittipaldi, Bartolomeu Campos de Queirós, Angela Lago, Orígenes Lessa e diversos outros.