COMPRAS INTERNACIONAIS
Alíquotas precisam fortalecer mercado interno após aumento do ICMS, diz economista
Estados que mudaram taxa foram Alagoas, Acre, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe


Dez estados brasileiros, incluindo Alagoas, aumentaram o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre compras internacionais feitas em plataformas online, a exemplo do que acontece com a Shein e da Shopee. A taxa passou de 17% para 20% em operações de comércio eletrônico, medida que desencorajou muitos alagoanos que compravam nessa modalidade de comércio eletrônico.
“Alagoas e mais 9 estados aderiram a essa taxa de ICMS que passou de 17% para 20%. Isso é uma maneira de proteger a indústria brasileira, o comércio brasileiro, a empregabilidade, tem o ar de protecionismo, mas é uma estratégia de deixar desinteressante adquirir produtos dessas plataformas como o Shopee e Shein, e todas essas, principalmente as orientais”, destaca o economista Renan Laurentino.
Na avaliação do economista, na mesma medida que o governo aumenta os impostos para ficar desinteressante a compra no exterior, é importante que trabalhe as alíquotas internas para que fique também mais em conta e interessante comprar no mercado interno.
“A gente leva duas discussões. Primeiro, esses produtos que vêm da China, vêm de uma mão de obra expropriada, e isso é complicado. E, ao mesmo tempo, esses produtos, essas plataformas não geram renda para o nosso estado, nem para o nosso país. Isso vai tudo para fora”, acrescenta Laurentino.
De acordo com ele, pensando na economia alagoana e brasileira é importante rever com urgência medidas que torne interessante a compra no mercado local. Segundo cálculos do setor varejista, uma peça adquirida por R$ 100 pode custar R$ 160 após a incidência dos tributos federais e estaduais.
“Porque eu já ouvi, claro, informações de pessoas dizendo que vão continuar comprando fora porque só tem esse produto lá. Porque para esse produto vir para cá, ele tem uma taxa muito alta, acaba ficando muito mais salgado, principalmente com o real tendo essa desvalorização”, lembra Laurentino.
Os estados que mudaram o valor da taxa foram Alagoas, Acre, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe.
O biólogo Rafael Barros diz que costuma comprar com frequência na Shein e na Shopee. “Eu compro bastante, principalmente roupas e acessórios, porque os preços costumam ser bem mais em conta do que nas lojas físicas daqui. Também já comprei eletrônicos pequenos, como fones de ouvido e capinhas de celular. Sempre achei que valia a pena pela economia”.
A Gazeta pergunta se ele pretende continuar após o aumento do ICMS. “Eu estou buscando alternativas. Antes de comprar, eu comparo o preço com lojas locais para ver se realmente vale a pena. Também estou olhando mais brechós e bazares, porque às vezes consigo peças de qualidade sem esse aumento de imposto. Mas confesso que, se os preços continuarem subindo, vou acabar comprando bem menos nesses sites internacionais”, disse o biólogo.
Na opinião de Rafael, o aumento do ICMS pode fazer com que mais pessoas voltem a comprar no comércio local. “Acho que sim, pelo menos para alguns produtos. Muita gente comprava na Shein e na Shopee porque os preços eram bem mais baixos, mas com os impostos, pode ser que fique quase igual ao valor das lojas daqui. Se o comércio local conseguir oferecer preços competitivos e boas promoções, acredito que mais pessoas vão preferir comprar presencialmente, até porque não precisam esperar tanto pelo frete”, acrescenta.
Já a fisioterapeuta Thayse Brandão diz que costuma comprar na Shopee todo tipo de produto. Ela concorda que a iniciativa de incentivar mais compras no comércio local, especialmente se os preços dos produtos importados subirem.
“Não pretendo mais comprar, pois esse com esse aumento fica inviável. Vai acabar saindo mais caro do que comprar no comércio local. Opto por comprar em site justamente por ter menos impostos e o produto sair mais em conta, mas com esse aumento não terá mais essa vantagem”, afirma Thayse.