O DIA SEGUINTE
‘Tarifaço’ de Trump atinge mercados globais e dólar
Resultado do dia seguinte, entretanto, não reflete a expectativa que havia de grande abalo na economia mundial


Um dia após o anúncio das novas tarifas comerciais dos Estados Unidos, o impacto nas bolsas internacionais e na cotação do dólar foi imediato, contundente, mas também abaixo do esperado. A reação negativa dos mercados ao “tarifaço” imposto pelo presidente Donald Trump se espalhou dos EUA para a Europa e Ásia, enquanto o Brasil seguiu na contramão, sustentando-se com uma leve alta no principal índice da bolsa de valores.
Por volta das 17h de ontem (3), primeiro dia do tarifaço, o dólar recuava 1,33% no Brasil, sendo negociado a R$ 5,6230. Já o Ibovespa subia 0,13%, aos 131.357 pontos. O comportamento destoante do mercado brasileiro se explica por dois fatores: a tarifa de 10% imposta ao país, considerada mais branda do que as aplicadas a outras nações, e a possibilidade de que os exportadores brasileiros ganhem espaço diante da retração de concorrentes mais afetados pelas medidas.
“A taxa de 10% foi recebida como um sinal positivo, considerando o cenário mais amplo. Há espaço para que o Brasil amplie sua participação em mercados estratégicos, aproveitando a perda de competitividade de países que sofreram tarifas mais pesadas”, avalia um gestor de investimentos ouvido ontem pelo G1.
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários desabaram. O S&P 500 recuou 5,38%, seguido por quedas de 4,80% no Nasdaq, 4,20% no Nasdaq 100 e 3,35% no Dow Jones. O movimento reflete o temor de que o aumento nas tarifas onere não apenas produtos finais, mas também insumos essenciais à cadeia produtiva norte-americana, pressionando a inflação.
Esse cenário é reforçado pela desvalorização do índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas globais. À tarde, o indicador recuava cerca de 1,50%, alcançando o menor nível desde setembro do ano passado.

Na Europa, a resposta do mercado foi igualmente negativa. O Euro Stoxx 50, que reúne ações de grandes empresas do continente, caiu 3,57%. As bolsas da Alemanha (DAX) e da França (CAC 40) recuaram 3,08% e 3,31%, respectivamente. Em outros países da União Europeia, como Itália, Espanha e Holanda, as quedas oscilaram entre 1,19% e 3,55%.
O Reino Unido, que também sofreu com tarifas de 10%, registrou baixa de 1,56% no FTSE 100. A Suíça, alvo de uma tarifa de 31%, viu seu índice SMI despencar 2,34%.
A Ásia, região duramente atingida pelas novas medidas, encerrou o pregão em queda generalizada. O Nikkei 225, do Japão, caiu 2,73%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,52%. Também registraram perdas as bolsas da Coreia do Sul (-0,76%), Tailândia (-0,93%) e Índia (-0,35%). A China, cujos produtos terão tarifa de 34%, está entre os países mais penalizados, ao lado de Vietnã, Bangladesh e Tailândia, com taxas que ultrapassam os 35%. Japão e Coreia do Sul foram tarifados em 24% e 25%, respectivamente.
Durante o anúncio das medidas, na quarta (2), Trump afirmou que se trata de um ato de “libertação econômica” dos EUA. Ele declarou que as tarifas são proporcionais às impostas pelos países de origem dos produtos, com o objetivo de equilibrar as relações comerciais.