COLUNA DO MARLON
Risco calculado? A conta não fechou
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O CRB teve um 1º trimestre de 2025 abaixo do esperado. Apesar de conquistar um tetracampeonato estadual – feito que não ocorria há 46 anos –, os primeiros três meses foram turbulentos em comparação com os anos anteriores.
Diferente da estratégia adotada nas últimas temporadas, o clube iniciou o ano com uma ampla reformulação, desmontando uma base que vinha sendo construída. É natural que o torcedor – e até a diretoria – se perguntem: como manter uma base que quase levou o time à Série C? Este é um argumento razoável, mas que esconde uma ilusão perigosa. O CRB não apenas cortou excessos e se desfez de jogadores que não renderam, mas também abriu mão de peças-chave da equipe titular. Começou a temporada com apenas quatro titulares remanescentes de 2024 – ou seja, a necessidade de remontar um time inteiro e suas alternativas era evidente. A isso se somou o início de um novo ciclo: com um executivo de futebol estreante no clube, um novo treinador e um elenco repleto de apostas vindas das divisões de base.
O título alagoano veio, é verdade, mas com o maior sufoco de toda a sequência hegemônica recente. Com pouco tempo e quase nenhuma condição para treinar adequadamente um elenco em reconstrução, o CRB acumulou atuações abaixo do esperado. O resultado mais duro foi a eliminação precoce na Copa do Nordeste, ainda na fase de grupos, um baque ainda maior para um time que havia sido vice-campeão da edição anterior.
Diante de pressão crescente, clima tenso e desempenho fraco, vários atletas não conseguiram render e acabaram descartados.
Passada esta primeira fase, o CRB entra no seu principal desafio: a Série B. E carrega junto o risco de não alcançar o que projetava na Copa do Brasil, tanto em desempenho quanto em arrecadação. O saldo do “risco calculado”? Nem o desempenho convenceu, nem a reformulação foi eficaz. No futebol, planejar com ousadia não é erro. Mas ousar sem lastro, sem tempo e sem critério pode cobrar um preço alto. E o CRB inicia a Série B devendo.