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quinta-feira, 03/04/2025 | Ano | Nº 5936
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Academia Brasileira de Letras

Mausoléu dos imortais

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Em recente viagem ao Rio de Janeiro, estive no cemitério São João Batista, com o objetivo de conhecer o Mausoléu da Academia Brasileira de Letras.

Desde o portão principal até o destino buscado, caminhando entre estátuas e epitáfios, nomes conhecidos e desconhecidos, percebi que a morte é a grande igualadora, e que a verdadeira perpetuidade não está no mármore frio das tumbas, mas na lembrança daqueles que ficaram para divulgar seus legados.

E assim, como que passeando pela história, encontrei verdadeiro livro aberto onde as datas nas lápides são como versos de uma poesia inacabada, deparei com nomes de artistas, barões, presidentes da República, atletas e até Manuel Duarte, governador de Alagoas e também deputado federal e senador representando o estado.

Porém, o que se tornou inesquecível no périplo foi ver o túmulo de certa criatura que, em minha juventude, firmou-se como grande ídolo de nossa terra. Seu nome ecoava aos quatro cantos, arrastando multidões em delírio, transformando gestos em inspiração e cada palavra em ordem.

Agora, ali estava ele, tão silencioso quanto invisível, esquecido, sem nenhuma flor, nem mesmo uma rosa murcha a enfeitar sua última morada. O revestimento da estrutura denunciava o abandono, vez que inúmeras placas careciam de reposição, enquanto o tempo, implacável, esculpia o esquecimento sobre o que um dia fora glória.

Parei naquele local por instantes, o suficiente para orar por sua alma e ao mesmo tempo refletir, me auto questionando: a fama, tão grandiosa em seu apogeu, será apenas um engano que o tempo desfaz?

Seguindo adiante, vi que, em meio às sepulturas, estão pessoas do povo, trabalhadores anônimos que sustentaram a sociedade com seu suor, mas também nomes ilustres. Cada túmulo guarda uma memória, destino interrompido, trajetória que, de alguma forma, contribuiu para o curso da vida ao redor.

Cumprida a missão de conhecer onde estão alguns imortais da ABL, dentre eles Ledo Ivo, Pontes de Miranda, Aurélio Buarque e tantos outros, saí de lá ciente de que, cemitérios representam muito mais que simples ambientes de descanso eterno; são registros pacatos da história, onde o tempo se mistura às memórias e à eternidade.

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