Disputa
PT-AL vive eleição polarizada entre continuidade e mudança radical
Sindicalista Dafne Orion e deputado Ronaldo Medeiros são os principais candidatos


A disputa pelo comando do Partido dos Trabalhadores (PT) em Alagoas conta com dois candidatos polarizando as discussões sobre a renovação do partido. De um lado, Dafne Orion, atual presidente do Sindicato dos Urbanitários e militante histórica do PT, que representa a continuidade do grupo liderado pelo deputado federal Paulão. Do outro, Ronaldo Medeiros, deputado estadual e membro da corrente “Resistência Socialista”, que aposta em uma mudança radical e críticas contundentes ao atual grupo dirigente.
Dafne Orion, representante da corrente “Construindo um Brasil Novo” (CNB), tem como um dos pilares de sua candidatura a defesa da continuidade do projeto político. Ela é apoiada por Ricardo Barbosa, atual presidente do PT em Alagoas.
Dafne explica que seu compromisso é fortalecer o PT em Alagoas, mantendo a essência da legenda, mas adaptando suas práticas às mudanças sociais e políticas. Para ela, a renovação não se refere a mudanças de pessoas, mas sim à atualização das práticas internas, como a organização partidária, a comunicação e a formação de militantes.
Ela propõe uma estrutura partidária mais flexível e atenta às demandas sociais contemporâneas, enfatizando a importância da participação tanto de militantes antigos quanto de novos filiados. “A sociedade mudou, e o partido precisa acompanhar essas mudanças, mas sem esquecer seus princípios norteadores”, afirma.
VISÃO CRÍTICA
Do outro lado da disputa, Ronaldo Medeiros, deputado estadual e integrante da corrente “Resistência Socialista”, apresenta uma visão crítica da atual gestão do PT em Alagoas. Para ele, a permanência do grupo que comanda o partido há mais de três décadas resultou em uma estagnação política e administrativa.
Medeiros questiona a eficácia da liderança de Paulão, que, segundo ele, centraliza o poder no PT de Alagoas de forma autoritária. “O PT em Alagoas vive em torno de um mandato, de um mandato de deputado federal, e isso não pode acontecer. É um deputado que não está na direção do partido, mas ele é quem manda, e de uma forma autoritária”, critica Medeiros.
Segundo o deputado, o grupo atual se afastou das bases populares e está mais interessado em manter cargos em secretarias do governo estadual do que em debater questões políticas com seus filiados. Medeiros vê o PT alagoano como um partido “viciado”, que se acomoda em uma estrutura de poder que favorece familiares e amigos, e que não está promovendo um debate real sobre as necessidades da sociedade. “Temos um grupo que não faz reuniões, não debate, que se apega a cargos e coloca pessoas, muitas vezes, ou familiares, ou por amizade”, denuncia.
Ele reforça que a renovação do partido deve ser uma ação concreta para revitalizar as discussões internas e para aproximar o PT das questões sociais e políticas do Estado.