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Indefinição

Vereadores se revezam para defender gestão JHC, ainda sem líder na Câmara

Indefinição causa incômodo na base aliada e tem fortalecido atuação do bloco independente

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Apesar de contar com o apoio declarado de 24 dos 27 vereadores de Maceió, o prefeito JHC (PL) segue sem indicar um líder oficial no Legislativo, quase quatro meses após iniciar seu segundo mandato. A indefinição — considerada atípica por parlamentares experientes — tem gerado desconforto silencioso dentro da própria base aliada e fortalecido a atuação do bloco independente na Câmara.

A ausência de uma liderança formal tem resultado em um rodízio tácito entre os vereadores mais alinhados ao Executivo, que acabam assumindo, de forma alternada, a defesa da gestão em sessões marcadas por cobranças sobre temas sensíveis, como a crise no transporte escolar, a morosidade em obras de creches e escolas e a atuação da fiscalização nas praias.

Nos bastidores, o nome mais cotado para assumir oficialmente o posto continua sendo o do vereador Galba Netto (PL), ex-presidente da Casa. Ele nega qualquer mágoa com o prefeito. “Não procede essa informação. O prefeito deve definir isso no momento certo”, disse. Outros nomes ventilados são os de Samyr Malta (Podemos) e Marcelo Palmeira (PL), que também evitam se colocar como pré-candidatos ao posto, afirmando que a decisão cabe exclusivamente ao prefeito.

A avaliação entre aliados é que a falta de um porta-voz claro da gestão no Parlamento compromete a articulação política e dificulta a consolidação das pautas do Executivo. “A base do prefeito é sólida, mas é necessário organizar melhor a interlocução com a Câmara”, reconheceu o líder do PL na Casa, vereador Leonardo Dias.

Mesmo parlamentares governistas admitem que a indefinição traz certo desgaste. O vereador Samyr Malta, por exemplo, tem enfrentado dificuldades de acesso a secretarias, segundo relatos internos. Ele afirmou que aceitaria a missão se fosse formalmente convidado, mas ressaltou que outros nomes também estão aptos a assumir a liderança.

Já Marcelo Palmeira, discreto e silencioso, evita comentar o tema. Disse apenas que está à disposição da gestão, caso necessário. A indefinição, porém, favorece a ampliação da atuação da chamada bancada independente.

Nomes como Teca Nelma (PT), Silvânia Barbosa (Solidariedade) e Allan Pierre (MDB) têm assumido protagonismo nas discussões, votando de acordo com seus posicionamentos e apresentando críticas pontuais à gestão. Temas como a construção de espigões na orla, a falta de infraestrutura em bairros periféricos e o avanço da especulação imobiliária têm sido levantados com frequência por esse grupo.

Na oposição, o ex-prefeito e vereador Rui Palmeira (PSD) também se vale da lacuna de liderança para criticar o governo JHC, especialmente nas áreas da educação, meio ambiente e transporte. Ele tem apontado, por exemplo, o abandono de obras escolares e o aumento de cargos comissionados como falhas estratégicas da atual administração.

Ainda assim, o presidente da Câmara, vereador Chico Filho (PL), tenta reduzir a tensão. Segundo ele, o tema da liderança está sendo tratado diretamente com o prefeito. “Estamos tranquilos. Conversei com o prefeito e acredito que em breve haverá uma definição. A base está funcionando”, afirmou.

O impasse em torno da liderança ocorre em um momento de cobranças crescentes ao Executivo, com temas sensíveis em debate, como o sucateamento do transporte escolar, a suspensão de repasses a programas sociais, a ausência de concurso público para a Guarda Municipal e a dificuldade de mobilidade urbana.

Nos corredores da Câmara, o silêncio estratégico dos vereadores da base tem sido interpretado como sinal de insatisfação contida. A definição sobre a liderança do prefeito, segundo fontes do Legislativo, pode ser decisiva para reorganizar a base e garantir maior fluidez à tramitação de projetos prioritários do governo municipal.

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