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Edição genética amplia eficácia de fungo no controle de pragas agrícolas

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Cientistas brasileiros e americanos demonstraram que a edição genética pode tornar o fungo Beauveria bassiana ainda mais eficiente no controle de pragas agrícolas. A pesquisa, conduzida com a tecnologia CRISPR-Cas9, revelou que a modificação do gene Bbsmr1 potencializa a capacidade do fungo de eliminar insetos, abrindo caminho para bioinseticidas mais eficazes e ambientalmente sustentáveis.

Segundo Gabriel Mascarin, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP), a versão inicial do fungo modificado contém um gene de resistência (geneticina), caracterizando-o como transgênico. No entanto, novas etapas da pesquisa pretendem utilizar a edição genética sem introdução de DNA exógeno, permitindo que os fungos editados sejam classificados como convencionais (não-transgênicos), facilitando sua liberação no Brasil como bioinseticidas.

Os cientistas compararam dois tipos de estruturas do fungo: blastosporos (células semelhantes a leveduras) e conídios aéreos, utilizados na maioria dos micopesticidas comerciais. Os resultados foram expressivos: Blastosporos foram 3,3 vezes mais letais e 22% mais rápidos na eliminação dos insetos do que os conídios. Em cinco dias, os blastosporos atingiram 97% de mortalidade nas larvas da traça-da-cera (Galleria mellonella), enquanto os conídios alcançaram apenas 29,4%.

Além disso, a produção de blastosporos ocorre em apenas dois a três dias sob cultivo líquido submerso, enquanto os conídios exigem mais de dez dias em cultivo sólido, tornando os blastosporos mais vantajosos para a produção de bioinseticidas em larga escala.

A edição genética do gene Bbsmr1 também resultou na superprodução de oosporina, substância que compromete o sistema imunológico dos insetos e acelera sua mortalidade. Além disso, a oosporina possui propriedades antifúngicas e antibacterianas, demonstrando potencial como biofungicida contra diversas doenças de plantas, como: Fusarium oxysporum – causa a murcha-de-fusarium em tomateiros e o mal-do-Panamá nas bananeiras; Giberella moniliformis – responsável por doenças no trigo e no milho.

A tecnologia CRISPR-Cas9 utilizada na pesquisa garante alta precisão, sem mutações fora do alvo, o que reforça a segurança da técnica. Fungos aprimorados sem transgenia poderão ser liberados mais rapidamente pelos órgãos reguladores, acelerando a adoção de soluções inovadoras no controle biológico de pragas.

Apesar dos avanços, alguns desafios permanecem. Os genes mutantes apresentaram menor resistência a estressores químicos e redução na produção de conídios em determinadas condições. No entanto, os pesquisadores acreditam ser possível selecionar linhagens que preservem os benefícios da tecnologia sem efeitos colaterais.

A pesquisa reforça o papel da biotecnologia como aliada da agricultura sustentável, reduzindo a dependência de pesticidas químicos e oferecendo soluções mais seguras e eficazes no controle de pragas agrícolas.

Fungos modificados aumentam a produção de oosporina, substância que compromete o sistema imunológico dos insetos
Fungos modificados aumentam a produção de oosporina, substância que compromete o sistema imunológico dos insetos | Foto: Adilson Lopes Lima

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